Número de novos exportadores cresce 308% na região

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Em 2016, 49 empreendimentos ingressaram no mercado internacional.

O ano de 2016 foi marcado por um aumento expressivo do número de empresas da região de Bauru que passou a remeter seus produtos para o Exterior. Ao todo, 49 empreendimentos ingressaram no mercado internacional, uma alta de 308% em comparação a 2015, quando somente 12 empresas estrearam no ramo.

Com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), os dados englobam os 20 municípios exportadores da Região Administrativa de Bauru e integram estudo elaborado pela Investe São Paulo, agência de promoção de investimentos e competitividade vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (Sdecti). Na região, os destaques ficaram por conta dos municípios de Jaú e Bauru, que ganharam, respectivamente, 17 e 13 novos exportadores em 2016.

Agora, Bauru totaliza 61 empresas com atividades no mercado externo e Jaú, 41. Somados, os 20 municípios fecharam o ano com 183 empreendimentos exportadores registrados, entre aqueles que já atuavam no mercado externo e os que começaram no ano passado.

O ingresso de 49 empresas no mercado internacional é recorde dentro da série histórica da Investe São Paulo, iniciada em 2001. Se, em 2015, foram 12 novos empreendimentos, em 2014, foram apenas sete e, em 2013, três em toda a região.

Segundo Domingos Malandrino, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, os resultados têm uma explicação fundamental. “Diante da retração do mercado interno, as empresas, para sobreviverem, precisaram buscar oxigênio fora do País. É um fenômeno que só atesta que a crise é brasileira, resultado de toda a degradação moral e ética da nossa política. É algo diferente do que ocorreu em 2008, por exemplo, quando o mercado interno permaneceu aquecido”, pontua.

OPORTUNIDADES

E, de fato, no resto do Estado, a situação não foi diferente. Ao longo de 2016, foram 2.010 empreendimentos estreantes, ante a 889 em 2015, 660 em 2014 e 563 em 2013. Malandrino considera expressivo o aumento registrado na região de Bauru, que reflete o esforço de muitas empresas para encontrar novos mercados e, assim, escapar da crise.

Mas pondera que o número das que adotam esta postura mais arrojada ainda é pequeno. “Bauru tem mais de 1 mil empreendimentos e, segundo o levantamento, apenas 61 são exportadoras, ou seja, é um percentual ínfimo. O meio empresarial precisa começar a enxergar o mercado externo como uma oportunidade de negócios, que acaba sendo muito mais sólido, mais estável e seguro do que o interno”, completa, salientando que boa parte das mercadorias produzidas na região possui qualidade para exportação.

Os que arriscaram ao longo de 2016, em sua maioria, são estabelecimentos de pequeno e médio portes. O estudo revelou que quase todos eles realizaram remessas menores que US$ 1 milhão em um ano.

“Isso reflete um dos ensinamentos que procuramos transmitir às empresas, de que é sempre interessante começar a exportar aos poucos. Nossa expectativa, inclusive, é de que o ano de 2017 feche com um número mais expressivo de empresas que fizeram remessas maiores, tendo debutado em 2017”, explica o diretor da Investe SP, Sérgio Costa.

Empresa de Bauru saiu de uma edícula e se integrou ao mundo em três anos

Foi há três anos, quando um potencial comprador dos Estados Unidos fez contato, que uma empresa de moda fitness de Bauru viu a oportunidade de se abrir para o mundo. À época, o negócio, ainda dando os primeiros passos, funcionava em uma edícula, nos fundos de uma casa.

“Nossas vendas ocorriam apenas em território brasileiro. Hoje, o mercado externo já representa metade do nosso faturamento”, comemora a sócia-proprietária Paula Zaniratto Giunta.Foi há três anos, quando um potencial comprador dos Estados Unidos fez contato, que uma empresa de moda fitness de Bauru viu a oportunidade de se abrir para o mundo. À época, o negócio, ainda dando os primeiros passos, funcionava em uma edícula, nos fundos de uma casa.

Devido ao aumento da demanda, a empresa, com apenas cinco anos de existência, se mudou para um galpão maior no Jardim Cruzeiro do Sul e precisou contratar mais quatro funcionários, incluindo um especialista em comércio exterior. Hoje, a fábrica exporta peças para cerca de dez países da América, Europa, Ásia e Oceania.

“Com a chegada da crise no Brasil, foi uma retaguarda importante para a manutenção da empresa, porque o mercado interno retraiu muito”, pontua a empresária. Ela destaca que a expansão dos negócios mundo afora foi favorecida pelo fato de o Brasil ser considerado um lançador de tendências dentro do segmento fitness e pela desvalorização do real frente ao dólar.

“Nossas roupas fazem muito sucesso fora do País. Agora, nossa expectativa é ampliar ainda mais a participação no mercado internacional, criando peças e coleções mais direcionadas a este público específico”, revela.

Novo foco

Secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Aline Prado Fogolin revela que uma das metas da pasta nesta nova gestão é ampliar as atividades desenvolvidas pela Sala do Empreendedor, com foco também em exportações.

“Ela não pode ser uma ferramenta apenas do microempreendedor individual (MEI), mas também da micro e pequena empresa, que pode ter condições de atuar no mercado externo. A secretaria vai oferecer capacitação e orientação para que elas estejam preparadas para o mercado, inclusive atendendo a critérios de qualidade e certificação exigidos para exportação”, cita.

Em âmbito estadual, segundo a Investe SP, o SP Export também desenvolve ações para ajudar a aumentar o número de exportações no Estado de São Paulo, com foco principalmente nas pequenas e médias empresas.

Realizado por meio de convênio com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) firmado em 2015, o programa foi responsável por diversas iniciativas no último ano.

Entre elas, foram realizados, por exemplo, três edições do Poupatempo do Exportador, a inclusão de 90 empresas no Projeto de Extensão Industrial Exportadora (Peiex), 16 palestras e workshops e duas missões comerciais ao exterior envolvendo Peru, Colômbia e Argentina, com a participação de mais de 200 empresários.

Fonte: Jcnet

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